Resposta rápida: quem recebia BPC, tem deficiência moderada ou grave e começou a trabalhar com remuneração de até dois salários mínimos pode receber meio salário mínimo por mês de auxílio-inclusão. O BPC fica suspenso — não cancelado — durante o vínculo.
Os requisitos, um a um
- Ter deficiência de grau moderado ou grave, reconhecida em avaliação do INSS.
- Receber BPC no momento em que a atividade começa, ou ter tido o BPC suspenso por trabalho nos últimos 5 anos.
- Exercer atividade remunerada com contribuição ao INSS (inclusive como MEI ou contribuinte individual).
- Ter remuneração mensal de até 2 salários mínimos.
- Manter a renda familiar por pessoa dentro do limite exigido, sem contar o próprio auxílio-inclusão.
- Estar com CPF regular e CadÚnico atualizado.
O que acontece com o BPC
O BPC entra em suspensão, e é justamente isso que dá segurança para aceitar o emprego: encerrado o vínculo, o pedido de reativação é feito no Meu INSS e, em regra, dispensa nova avaliação médica e social, desde que as condições que geraram o direito continuem existindo.
Como pedir, passo a passo
- Confirme que o vínculo de trabalho já está registrado no CNIS (consulte o extrato no Meu INSS).
- Atualize o CadÚnico no CRAS, informando o novo emprego e a renda.
- Acesse o Meu INSS e busque o serviço "Auxílio-Inclusão".
- Preencha o requerimento e anexe o contrato de trabalho ou o comprovante de atividade.
- Acompanhe o protocolo pelo próprio Meu INSS e responda a eventuais exigências dentro do prazo.
Erros que fazem o pedido ser negado
- Grau da deficiência registrado como leve. O auxílio exige moderado ou grave; se a avaliação anterior classificou como leve, é preciso pedir reavaliação.
- Remuneração acima de 2 salários mínimos. O benefício é cessado enquanto a renda ultrapassar o teto.
- CadÚnico desatualizado. É a causa mais frequente de indeferimento automático.
- Trabalho informal. Sem contribuição ao INSS, não há direito — o vínculo precisa estar formalizado.
Perguntas frequentes
O que é o auxílio-inclusão?
É um benefício criado pela Lei 14.176/2021 que paga metade do salário mínimo à pessoa com deficiência moderada ou grave que recebia o BPC e passou a exercer atividade remunerada com contribuição ao INSS. O objetivo é evitar que trabalhar signifique perder renda.
Quem tem direito ao auxílio-inclusão?
Quem tem deficiência moderada ou grave, recebia BPC (ou teve o BPC suspenso por trabalho nos últimos cinco anos), passou a exercer atividade com remuneração de até dois salários mínimos, contribui ao INSS, tem CPF regular e CadÚnico atualizado.
Qual o valor do auxílio-inclusão?
Meio salário mínimo por mês, pago junto com a remuneração do trabalho. O valor acompanha os reajustes do salário mínimo.
Perco o BPC se pedir o auxílio-inclusão?
O BPC é suspenso enquanto durar a atividade remunerada, não cancelado. Ao encerrar o vínculo, é possível reativar o BPC sem nova avaliação, desde que as condições continuem sendo atendidas.
Como solicitar o auxílio-inclusão?
Pelo Meu INSS (site ou aplicativo) ou pela central 135, escolhendo o serviço de auxílio-inclusão. Não é preciso nova perícia quando já existe avaliação de deficiência moderada ou grave registrada.
Quem nunca recebeu BPC pode pedir o auxílio-inclusão?
Não. O vínculo com o BPC é requisito: é preciso estar recebendo o benefício no momento em que começa a atividade remunerada ou ter tido o BPC suspenso por esse motivo nos cinco anos anteriores.
Leia também
Quer o passo a passo completo para solicitar seus direitos?
O Guia Prático ensina, em linguagem simples, o que pedir, onde pedir e o que falar em cada benefício — de isenções fiscais a BPC e aposentadoria.
Conteúdo informativo produzido por Guilherme Karatchuk, criador do Trajetos Inclusivos, com base na Lei 14.176/2021 e na Lei 8.742/1993. Não substitui orientação jurídica nem atendimento do INSS. Revisado em Agosto/2026.